Deus, que fez os céus e a terra, o mar e tudo o que eles contêm.
(Salmo 146:6)
Santa Teresa, ES — Mata Atlântica
Setembro foi o mês mais movimentado desde o início. O acervo cresceu em ritmo que nenhum mês anterior alcançou, e o número de observadores chegou a onze — gente de fora da família começando a registrar a vida daqui.
Um casal de quatis apareceu no comedouro entre os dias 18 e 20 de setembro, e ficou tempo bastante para ser filmado sem pressa. O vídeo abaixo mostra um deles, sozinho, revirando o que encontra.
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O mês trouxe duas espécies que nunca haviam aparecido nos registros do sítio.
O tucano-ariel, ave que consta das listas de risco da União Internacional para a Conservação da Natureza, foi fotografado em 3 de setembro. Ver observação →
O mão-pelada (Procyon cancrivorus) foi flagrado pela câmera noturna. É um procionídeo de hábitos noturnos e ribeirinhos, parente do guaxinim norte-americano, e passa despercebido mesmo onde é comum. Ver observação →
Estávamos todos à beira do lago quando notamos algo se debatendo na água. Nadava sem rumo, sem alcançar margem alguma. De longe não dava para saber o que era: rato-do-mato, filhote de capivara, coisa nenhuma que soubéssemos nomear. Alfredo, da margem, alcançou o bichinho e o pôs em terra firme, de onde ele foi para a segurança da mata.
Só depois, com a foto na tela, veio o nome: preá-da-mata, roedor da Mata Atlântica aparentado do porquinho-da-índia. E veio também a surpresa. No iNaturalist, a espécie soma apenas 84 registros no mundo inteiro, 82 deles no Brasil e vinte no Espírito Santo. O nosso é o segundo de Santa Teresa.
Oitenta e quatro registros. Um bicho que existe, que nada e mergulha para escapar de predadores, e que atravessa a mata aqui do lado — e de que o mundo inteiro guarda menos de cem fotografias.
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Duas saracuras-do-mato, uma cuidando da outra. Não há muito o que explicar num vídeo desses; é melhor assistir.
Neste mês, o encontro mais rendoso do projeto aconteceu longe das trilhas — no fórum do iNaturalist.
Um observador reclamava de não conseguir saber quantos registros de uma espécie existem no mundo, nem qual a sua parte nesse total. É o que o nosso Ranking iNaturalist faz — e foi o que respondemos, com os números deste sítio: de algumas espécies da Mata Atlântica, como a saracura-do-mato, os registros feitos aqui estão entre os mais numerosos do planeta.
A conversa rendeu correções e sugestões de observadores de vários países, que já viraram ajustes no aplicativo. Uma ferramenta pequena, feita no interior do Espírito Santo, sendo aprimorada por gente que nunca ouviu falar de Santa Teresa.
Na agenda de outubro. 9 a 11 de outubro — Renan Betzel (Instagram) e Athos Souza (WikiAves) voltam ao sítio, desta vez para o October Big Day do eBird, a maior jornada global de observação de aves. Chegam na sexta e ficam até domingo, com o sábado reservado por inteiro às trilhas. O que for registrado entra no boletim de outubro.
Em setembro, o Vem pra Mata foi tema de reportagem na imprensa capixaba. A matéria apresentou o projeto pelo que ele é — uma área de Mata Atlântica em Santa Teresa onde câmeras, celular e gravador documentam o que passa — e trouxe na capa uma imagem de armadilha fotográfica feita aqui: um quati diante do comedouro.
Todos os aplicativos são gratuitos, abertos a qualquer pessoa e construídos sobre a API pública do iNaturalist.
Gera cartões colecionáveis das espécies registradas, no estilo dos álbuns de figurinhas, a partir de qualquer observação do iNaturalist.
Abrir aplicativo →Mostra sua posição mundial em cada espécie que você observou ou identificou, com o percentual que seus registros representam no total do planeta.
Abrir aplicativo →Responde a uma pergunta prática de quem vai a campo: quando aparece? Reúne as observações de uma espécie por hora do dia e por mês do ano, com mapas de distribuição.
Abrir aplicativo →Mostra graficamente quem identifica o quê. Escolhida uma espécie, um grupo taxonômico ou um usuário, o aplicativo desenha a rede que liga quem observou a quem identificou.
Abrir aplicativo →Séries anuais das métricas do iNaturalist para o Brasil inteiro: observações, espécies, observadores e identificadores, ano a ano.
Abrir aplicativo →Os aplicativos ficam em repouso quando não estão em uso. O primeiro acesso pode levar algumas dezenas de segundos para carregar — não é falha, é apenas a instância acordando.
O trabalho de identificação é o que transforma uma fotografia em dado científico.
@guilandrade atravessou a marca das mil identificações em setembro, somando 422 apenas neste mês. Menção especial a @medina112, que quase dobrou sua participação no período. Agradecemos também a @lsueza (220) e @kc1rt4pn0sd3 (132).
O Vem Pra Mata é um Estúdio de Cinema da Natureza dedicado ao registro da fauna e da flora da Mata Atlântica em Santa Teresa, no Espírito Santo. Unimos cinema, ciência cidadã e contemplação da criação.