✦ Boletim nº 4 · Outubro 2026 ✦

Dez mil olhares
sobre a mata

Uma câmera que mudou de lugar, a Tris Home de volta ao comedouro, Santa Teresa no mapa do October Big Day e a contagem regressiva para o Grande BioBlitz.

"Quão numerosas são as tuas obras, Senhor! Fizeste todas com sabedoria; a terra está cheia das tuas riquezas."

Salmo 104, versículo 24
Números do Projeto
10.000
observações no projeto

Em seis meses, o Vem pra Mata chegou à marca de dez mil observações no iNaturalist. Só desde o boletim de setembro foram mais de três mil e seiscentos registros, impulsionados pelas armadilhas fotográficas funcionando de forma contínua e pela volta da câmera do comedouro.

10.025Observações+3.669 desde 25/set
1.357Espécies+126
788Identificadores+74
12Observadores+1

Posição em 29/10/2026.

Como contamos

Uma pergunta frequente: se o mesmo sabiá aparece dez vezes no comedouro, são dez observações? Para nós, via de regra, sim. Cada registro das armadilhas fotográficas vira uma observação, o que não significa necessariamente um animal diferente, e sim um momento diferente. Vários indivíduos se alternam nos comedouros, e sem uma marca clara não há como afirmar que se trata do mesmo animal. Dois flagrantes ajudam a explicar:

Três sabiás-laranjeira ao mesmo tempo junto ao comedouro
Três sabiás-laranjeira ao mesmo tempo junto ao comedouro da Tris Home, 21/10. Foto: André Ferrari (CC BY)
Três sanhaços-do-coqueiro no comedouro▶ Assistir no YouTube
Três sanhaços-do-coqueiro dividindo o comedouro.

Há exceções: quando a câmera dispara uma rajada de fotos, elas formam uma única observação; e, quando é evidente que se trata do mesmo indivíduo, como um gambá que permanece diante da lente, os registros são agrupados.

Novidade · Bastidores

A câmera que foi procurar novos personagens

Uma das câmeras GardePro ficava na mata atrás da casa, na estação CANAA1. Entre agosto e outubro, foram 1.198 observações de 28 táxons, entre eles a irara, flagrada em 27 de setembro. Com o tempo, porém, o elenco ficou repetitivo: juriti-pupu, gambá, saracura e paca somaram mais de três quartos dos registros.

Em 13 de outubro, a câmera mudou de endereço. Foi para a borda da mata a oeste da pousada, a nova estação CANAA2, com um objetivo simples: encontrar espécies que ainda não aparecem no acervo. Abaixo, o último mês de CANAA1 ao lado das duas primeiras semanas de CANAA2.

Mapa com as estações CANAA1 e CANAA2 no Sítio Canaã
Localização aproximada das estações: CANAA1, na mata atrás da casa, e CANAA2, na borda da mata a oeste da pousada. Imagem de satélite © Google.
● CANAA1 · 12/set–12/out
Mata atrás da casa
Último mês · 589 observações · 20 táxons
Juriti-pupu Leptotila verreauxi145
Gambá-de-orelha-preta Didelphis aurita140
Saracura-do-mato Aramides saracura135
Paca Cuniculus paca71
Sabiá-laranjeira Turdus rufiventris25
Sabiá-barranco Turdus leucomelas22
Quati Nasua nasua13
Outros 13 táxons38
● CANAA2 · 13/out–28/out
Borda da mata, a oeste
Duas semanas · 104 observações · 7 espécies
Gambá-de-orelha-preta Didelphis aurita63
Quati Nasua nasua18
Saracura-do-mato Aramides saracura12
Jacuaçu Penelope obscura4
Juriti-pupu Leptotila verreauxi3
✦ Sabiá-coleira Turdus albicollis2
✦ Inambu-chintã Crypturellus tataupa1

Em duas semanas, a nova estação já trouxe duas espécies que CANAA1 nunca registrou: o sabiá-coleira e o inambu-chintã (✦). Ao mesmo tempo, a juriti-pupu, campeã de registros na estação antiga, quase desapareceu, e o quati ficou mais frequente.

Uma ressalva honesta: as duas estações não se comparam número a número. Os períodos são diferentes, e em CANAA2 a câmera dispara rajadas de três fotos, que viram uma única observação. Voltaremos ao tema nos próximos boletins.

A Tris Home está de volta

Em 17 de outubro, a câmera do comedouro voltou a operar, agora com disparo único. Em pouco mais de dez dias, já são 625 observações, lideradas pelo sabiá-laranjeira, pelo canário-da-terra e pelo sabiá-barranco, além de visitantes como o tiê-preto, o bico-de-veludo, o sanhaço-de-encontro-amarelo e a saí-azul.

Destaques do Mês

Animal em Destaque: a cobra-coral

Cobra-coral-verdadeira (Micrurus corallinus) na grama do Sítio Canaã
Cobra-coral-verdadeira (Micrurus corallinus), 11/10/2026. Foto: André Ferrari (CC BY)

Era noite de 11 de outubro, e eu saí para alimentar os nossos cachorros. No caminho, uma cobra-coral deslizava tranquilamente pela grama. O susto foi meu; ela seguiu o seu rumo sem pressa, e o registro rendeu uma sequência de fotos que já alcançou o grau de pesquisa no iNaturalist.

A Micrurus corallinus é uma cobra-coral verdadeira, de hábitos discretos, que vive no chão da Mata Atlântica, entre folhas e raízes. É peçonhenta: a regra é sempre admirar de longe e nunca tentar manusear.

Ver a observação no iNaturalist →

Raridade do Mês: Pseudotessellarctia ursina

Mariposa Pseudotessellarctia ursina
Pseudotessellarctia ursina, 30/09/2026. Foto: André Ferrari (CC BY)

Uma mariposa peluda, da subfamília das mariposas-tigre (Arctiinae), registrada no sítio em 30 de setembro. No iNaturalist inteiro existem apenas 4 registros desta espécie. A identificação foi confirmada por outros dois identificadores, e a observação já tem grau de pesquisa.

E ela não veio sozinha: em outubro, o projeto registrou também a Cresera espiritosantensis, cujo nome homenageia o Espírito Santo (5 registros no mundo), e a Heliactinidia nigrilinea (10 registros).

Ver a observação no iNaturalist →

Vídeos em Destaque
October Big Day

Santa Teresa entre os melhores do Brasil

10outubro

No October Big Day, maratona de ciência cidadã do eBird/Cornell Lab, observadores do mundo inteiro registram em um único dia todas as aves que veem ou ouvem. Santa Teresa liderou o Espírito Santo e colocou dois pontos de observação entre os quinze do país com mais espécies.

9º

Reserva Biológica Augusto Ruschi
182 espécies

15º

Pousada Sítio Canaã (empatada)
158 espécies

Na pousada, as listas foram feitas pelos guias Renan Betzel (@renan_betzel) e Athos Souza (@athossouza), que percorreram as trilhas do sítio ao longo de todo o dia. O resultado também ganhou espaço na imprensa local de Santa Teresa.

Ver o ranking completo dos hotspots do Brasil no eBird →

Na Comunidade

Vitor chega ao Vem pra Mata

Em outubro, o projeto ganhou um novo observador: @vitorcdg, Vitor Corrêa Dias, que já era um dos nossos identificadores mais assíduos e chega também como o quarto maior observador do projeto, com 340 observações e 126 espécies.

Vitor coordena a participação da Grande Vitória no Grande BioBlitz do Hemisfério Sul, e a parceria com ele foi decisiva para levar Santa Teresa ao evento.

Contagem regressiva: Grande BioBlitz do Hemisfério Sul

27–30novembro

Pela primeira vez, Santa Teresa participa oficialmente do Great Southern BioBlitz, a maior bioblitz do Hemisfério Sul. Durante quatro dias, qualquer pessoa pode fotografar plantas, animais e fungos e publicar no iNaturalist; as observações feitas no município entram automaticamente no projeto de Santa Teresa.

Quem estiver na Grande Vitória pode participar pelo projeto coordenado pelo Vitor (@bioblitzes). A organização do evento anunciou a estreia do município no diário do GSB.

Agradecimentos

Os dez que mais identificaram

Por trás de cada observação confirmada há alguém que dedicou tempo para olhar, comparar e identificar. Neste mês, ampliamos o agradecimento aos dez maiores identificadores do projeto. Destaque para @enricotosto96, que ultrapassou a marca de três mil identificações.

1@enricotosto963.068
2@guilandrade1.375
3@medina112639
4@lsueza480
5@taguato_guassu446
6@vitorcdg239
7@kc1rt4pn0sd3211
8@hugosousavinicius194
9@claudiomartins180
10@miguelap142

A todos os 788 identificadores e 12 observadores que constroem este acervo conosco: muito obrigado.

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