Uma câmera que mudou de lugar, a Tris Home de volta ao comedouro, Santa Teresa no mapa do October Big Day e a contagem regressiva para o Grande BioBlitz.
"Quão numerosas são as tuas obras, Senhor! Fizeste todas com sabedoria; a terra está cheia das tuas riquezas."
Em seis meses, o Vem pra Mata chegou à marca de dez mil observações no iNaturalist. Só desde o boletim de setembro foram mais de três mil e seiscentos registros, impulsionados pelas armadilhas fotográficas funcionando de forma contínua e pela volta da câmera do comedouro.
Posição em 29/10/2026.
Uma pergunta frequente: se o mesmo sabiá aparece dez vezes no comedouro, são dez observações? Para nós, via de regra, sim. Cada registro das armadilhas fotográficas vira uma observação, o que não significa necessariamente um animal diferente, e sim um momento diferente. Vários indivíduos se alternam nos comedouros, e sem uma marca clara não há como afirmar que se trata do mesmo animal. Dois flagrantes ajudam a explicar:
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Há exceções: quando a câmera dispara uma rajada de fotos, elas formam uma única observação; e, quando é evidente que se trata do mesmo indivíduo, como um gambá que permanece diante da lente, os registros são agrupados.
Uma das câmeras GardePro ficava na mata atrás da casa, na estação CANAA1. Entre agosto e outubro, foram 1.198 observações de 28 táxons, entre eles a irara, flagrada em 27 de setembro. Com o tempo, porém, o elenco ficou repetitivo: juriti-pupu, gambá, saracura e paca somaram mais de três quartos dos registros.
Em 13 de outubro, a câmera mudou de endereço. Foi para a borda da mata a oeste da pousada, a nova estação CANAA2, com um objetivo simples: encontrar espécies que ainda não aparecem no acervo. Abaixo, o último mês de CANAA1 ao lado das duas primeiras semanas de CANAA2.
| Juriti-pupu Leptotila verreauxi | 145 |
| Gambá-de-orelha-preta Didelphis aurita | 140 |
| Saracura-do-mato Aramides saracura | 135 |
| Paca Cuniculus paca | 71 |
| Sabiá-laranjeira Turdus rufiventris | 25 |
| Sabiá-barranco Turdus leucomelas | 22 |
| Quati Nasua nasua | 13 |
| Outros 13 táxons | 38 |
| Gambá-de-orelha-preta Didelphis aurita | 63 |
| Quati Nasua nasua | 18 |
| Saracura-do-mato Aramides saracura | 12 |
| Jacuaçu Penelope obscura | 4 |
| Juriti-pupu Leptotila verreauxi | 3 |
| ✦ Sabiá-coleira Turdus albicollis | 2 |
| ✦ Inambu-chintã Crypturellus tataupa | 1 |
Em duas semanas, a nova estação já trouxe duas espécies que CANAA1 nunca registrou: o sabiá-coleira e o inambu-chintã (✦). Ao mesmo tempo, a juriti-pupu, campeã de registros na estação antiga, quase desapareceu, e o quati ficou mais frequente.
Uma ressalva honesta: as duas estações não se comparam número a número. Os períodos são diferentes, e em CANAA2 a câmera dispara rajadas de três fotos, que viram uma única observação. Voltaremos ao tema nos próximos boletins.
Em 17 de outubro, a câmera do comedouro voltou a operar, agora com disparo único. Em pouco mais de dez dias, já são 625 observações, lideradas pelo sabiá-laranjeira, pelo canário-da-terra e pelo sabiá-barranco, além de visitantes como o tiê-preto, o bico-de-veludo, o sanhaço-de-encontro-amarelo e a saí-azul.
Era noite de 11 de outubro, e eu saí para alimentar os nossos cachorros. No caminho, uma cobra-coral deslizava tranquilamente pela grama. O susto foi meu; ela seguiu o seu rumo sem pressa, e o registro rendeu uma sequência de fotos que já alcançou o grau de pesquisa no iNaturalist.
A Micrurus corallinus é uma cobra-coral verdadeira, de hábitos discretos, que vive no chão da Mata Atlântica, entre folhas e raízes. É peçonhenta: a regra é sempre admirar de longe e nunca tentar manusear.
Uma mariposa peluda, da subfamília das mariposas-tigre (Arctiinae), registrada no sítio em 30 de setembro. No iNaturalist inteiro existem apenas 4 registros desta espécie. A identificação foi confirmada por outros dois identificadores, e a observação já tem grau de pesquisa.
E ela não veio sozinha: em outubro, o projeto registrou também a Cresera espiritosantensis, cujo nome homenageia o Espírito Santo (5 registros no mundo), e a Heliactinidia nigrilinea (10 registros).
No October Big Day, maratona de ciência cidadã do eBird/Cornell Lab, observadores do mundo inteiro registram em um único dia todas as aves que veem ou ouvem. Santa Teresa liderou o Espírito Santo e colocou dois pontos de observação entre os quinze do país com mais espécies.
Reserva Biológica Augusto Ruschi
182 espécies
Pousada Sítio Canaã (empatada)
158 espécies
Na pousada, as listas foram feitas pelos guias Renan Betzel (@renan_betzel) e Athos Souza (@athossouza), que percorreram as trilhas do sítio ao longo de todo o dia. O resultado também ganhou espaço na imprensa local de Santa Teresa.
Em outubro, o projeto ganhou um novo observador: @vitorcdg, Vitor Corrêa Dias, que já era um dos nossos identificadores mais assíduos e chega também como o quarto maior observador do projeto, com 340 observações e 126 espécies.
Vitor coordena a participação da Grande Vitória no Grande BioBlitz do Hemisfério Sul, e a parceria com ele foi decisiva para levar Santa Teresa ao evento.
Pela primeira vez, Santa Teresa participa oficialmente do Great Southern BioBlitz, a maior bioblitz do Hemisfério Sul. Durante quatro dias, qualquer pessoa pode fotografar plantas, animais e fungos e publicar no iNaturalist; as observações feitas no município entram automaticamente no projeto de Santa Teresa.
Quem estiver na Grande Vitória pode participar pelo projeto coordenado pelo Vitor (@bioblitzes). A organização do evento anunciou a estreia do município no diário do GSB.
Por trás de cada observação confirmada há alguém que dedicou tempo para olhar, comparar e identificar. Neste mês, ampliamos o agradecimento aos dez maiores identificadores do projeto. Destaque para @enricotosto96, que ultrapassou a marca de três mil identificações.
| 1 | @enricotosto96 | 3.068 |
| 2 | @guilandrade | 1.375 |
| 3 | @medina112 | 639 |
| 4 | @lsueza | 480 |
| 5 | @taguato_guassu | 446 |
| 6 | @vitorcdg | 239 |
| 7 | @kc1rt4pn0sd3 | 211 |
| 8 | @hugosousavinicius | 194 |
| 9 | @claudiomartins | 180 |
| 10 | @miguelap | 142 |
A todos os 788 identificadores e 12 observadores que constroem este acervo conosco: muito obrigado.